Poderíamos, talvez, escolhe-los?
A cada um existe uma forma de cuidar.
Uns brigam e fazem as pazes pelo menos uma vez por semana, outros nunca discutem, se dão bem sempre, alguns tratam-se como irmãos, cúmplices.
E ser sozinho? Não fisicamente, mas de coração. Sem ninguém pra poder compartilhar suas escolhas, seus sonhos, suas dores. Parece que eu conheci um pouco disso.
Vi, durante esse pouco tempo de vida, amizades lindas e sentia falta de algo que nunca havia vivido.
Talvez eu tenha sido distante, muito longe para construir laços profundos.
Queria ter sido mais corajosa.
Odeio o medo, entretanto, ele quase sempre me fez uma visita.
Chega a soar estranho: "Tinha medo de anjos", e acho que nem chegava a ser isso.
Apenas aprendi a ser eu e eu mesma. Há quem não suporta essa ideia, que chora por se sentir só.
E eu acredito que ninguém consegue superar seus maus momentos sozinho, nem mesmo eu consegui.
É nos momentos que mais precisamos que eles aparecem, para mim como anjos.
Tenho poucos, mas guardo como presentes, jóias valiosas.
Só as pessoas certas são capazes de te dizer ou só ouvir, de abraçar, e se preocupar com alguém que se acha tão comum e tão cheio de defeitos.
Somos insignificantes à nós mesmo, mas esses anjos conseguem ver o que há de bom dentro de você. Mesmo que esteja lá no fundo, eles chegam e transbordam tudo o que parece ser tão pequeno.
Como uma forma de mostrar a você mesmo que há aí dentro algo pra se orgulhar, ou quem sabe para ser o orgulho de alguém.

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