domingo, 13 de março de 2016

Plural

Dias bons e ruins, quem pode ousar dizer não tê-los vivido? Os bons são capazes de nos deixar estasiados, fora dos eixos, como se o sorriso nunca mais fosse sair dos lábios. Os ruins nos deixam pensativos e não quer dizer que chegaremos em algum lugar com todas as perguntas que nos fazemos. Aprovo: os momentos tristes nos fazem pensar. O que eu tenho feito é o suficiente? É mais do que deveria?

Somos feitos de expectativas, de sonhos. Estamos esperando algo. Eu espero.

Peço para que existam as palavras, esforçando-me para que elas nunca nos faltem. Que sobrem abraços e que os beijos durem para sempre. Eu nada deveria pedir em troca, mas espero pelas horas em que posso ouvir sua voz. Aguardo pelos bilhetes que nos faziam parecer adolescentes apaixonados. Confio no amanhã onde não serei apenas eu mesma, será tudo no plural. O plural que eu espero desde que entendi que sozinho a gente é feliz, mas não para sempre.

Estou esperando por aquele "bom dia" dado enquanto olho em seus olhos. Posso nos ver em um sábado chuvoso, deitados no sofá com a única pretensão de estarmos exatamente ali. Escrevo dentro de mim cada um dos sonhos. Essa foi a história que escolhi viver e que não segue exatamente o roteiro que pensava. Mas quem disse que as coisas precisam ser do nosso jeito?

sábado, 28 de junho de 2014

A mais linda lembrança

Ela estava olhando para o céu, o dia estava lindo, não podia negar. Entre tantas palavras balbuciadas se deu conta: era impossível explicar tudo aquilo que estava sentindo. O sol brilhava, era verão e as nuvens brancas no céu traziam paz, a brisa fresca tocava o seu rosto. Muitas pessoas passavam, mas ela se quer notava. Seus olhos estavam fixos em apenas uma pessoa.
O coração estava descompassado, as mãos estavam inquietas, tentou desviar o olhar algumas vezes. E qual o problema se houvesse silêncio?

Poderia ter passado dias e dias naquele lugar, exatamente debaixo daquelas árvores, com a cabeça recostada sobre o peito dele. Não se importaria se permanecesse daquela forma, ela estava feliz e não precisava mentir. Seu coração estava cada vez mais envolvido. Em alguns instantes, voava até chegar ao futuro. E nele, ela podia se ver naquela mesma situação, sorrindo com a mesma intensidade.

De onde viria tudo isso? Não pode responder. Os seus olhos buscavam fixar-se naqueles que estavam ao seu lado. Ao olhá-los ela sorria e podia ver o quanto eles diziam. Eram capazes de roubar o pouco ar que sobrava nos pulmões. Eles se encontraram. Na multidão se esbarraram, enxergaram a alma, eram um complemento. Deram as mãos.

O silêncio invadiu e se fez imensidão, os olhos agora estavam mais perto. Ela sorriu, e o viu sorrindo também. Não se moveram. Ela respirou fundo e pode sentir seu coração parar, o sangue sumiu, é provável que ela tenha ficado pálida, tinha sorte de não estar em pé, suas pernas vacilariam.

Foi quando percebeu que isso tudo fazia parte daquele sentimento que ela guardou tanto tempo dentro do coração. Tentaram roubar a esperança, mas ele chegou. Foi capaz de preencher cada vazio, curar cada uma das feridas e entregou o coração mais puro que ela já havia conhecido.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sozinho

Você acredita que eu achava que pudesse conseguir alcançar alguma coisa sozinha? Defendia a ideia de que devemos ser completos pra daí então tentar, de alguma forma, ser feliz com outro alguém. E é engraçado, por que a vida nos mostra o quanto muitas vezes estamos errados, né?
Eu que achei que pudesse ir para longe, sou diariamente contrariada, por mim mesma, quando vejo que meus pés não me levam para tão distante assim quando escolho estar só.
Para mim era difícil acreditar que minhas dores pudessem ser saradas por alguém que não fosse eu. E eu não encontrei a cura para a minha alma dentro de mim mesma, pelo contrário, foi quando eu abri mão de ter o controle de tudo. A vida é assim, a gente nunca tem o domínio de tudo e, de vez em quando devemos dar uma única oportunidade. Precisamos disso. Literalmente não se pode ser feliz sozinho. O que você tem para compartilhar? Dores? Amores? Sonhos? Doe-se.
Eu andei muito tempo batendo minha cabeça nos meus próprios erros, buscando uma salvação que eu jamais acharia aqui dentro. Ela veio de fora e foi capaz de me mostrar o que é ser simplesmente feliz. Eu apaguei o passado, me esqueci dos equívocos, dos passos que não deviam ter sido dados e me fixei no hoje. Há quem se importe.
Parecia ser assustador, como tudo o que é novo. Mas o que me amedrontou foi exatamente o que me fez feliz. Existe um recomeço que você vai encontrar quando se der conta disso. A gente precisa de uma companhia, um ombro amigo, e de pés para te ajudarem a ir mais longe. A gente precisa encontrar o amor, e não fugir dele. Ninguém é o amor da sua própria vida.
Eu encontrei o recomeço, dentro de uma certeza de eternidade. Dá para acreditar? É eterno. Acabaram as dores, as dúvidas. Não estou mais só.
Escolho te acompanhar por onde você for.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O grito...

que eu nunca dei. Aquele que ecoou na alma, que me ensurdeceu os ouvidos. O grito daquelas palavras que insisti em acreditar. Ele saiu. O desapego, o "não me importo" não veio fácil, mas encontrei. Foi preciso perseguir. Uma busca por quem eu sou, quem eu devia ser, sentir, fazer. 
Eu encontrei uma esperança no silêncio que se fez... Isso foi o suficiente, me questionei, bati com a cabeça nos medos, nas angústias, mas ele chegou. 
O fim. Eu necessitava dele. Tomei nas mãos a caneta e o papel. Era preciso escrever o final disso tudo. As questões não deviam mais existir. O ponto final chegou e com ele a paz abraçou meu coração. 
Eu soube que seria feliz e não me importava com o tempo da espera. Ela veio e encontrou as coisas fora do lugar, mas me esperou, me ajudou. Tomou minhas mãos e me mostrou que valia a pena por tudo em ordem. Eu devia organizar a casa, porque ela viria para ficar. 

Os papéis e a caneta estão aqui. Uma nova história também. A alma se aquietou, me concentro. Eu pego a caneta nas mãos e agora posso escrever a história que eu tanto sonhei viver.

sábado, 15 de março de 2014

Surpresas


Eu amo surpresas, das de todos os tipos. Um sorriso inesperado, um abraço, uma presença, um dia tranquilo. Gosto das surpresas boas, claro. Porque quando é bom a gente gosta, guarda, relê, sorri, cheira, toca. A gente não esquece, nem nas vezes ruins. Surpresas geram memórias, lembranças, sensações.
Dentro de mim há lembranças que ainda geram surpresas. Surpreendo-me com a sensação que eu devia ter esquecido, enterrado, apagado. Sorrio com a memória de uma carta lida, um cartão guardado, aquele olhar distante. E são as lembranças tristes, aquelas que a gente tenta se livrar, as responsáveis pelo medo. O medo de sermos surpreendidos. Por que é que uma surpresa ruim é capaz de te fazer correr de tantas surpresas boas que ainda nem aconteceram? Parei pra pensar: não dá pra ter medo do ruim. Ele te afasta do do amor, da alegria. Quando eu escolho me esconder eu deixo a paz ir embora. Quando desvio, eu fecho os olhos para os sorrisos que querem me encontrar. Quando eu fujo, eu guardo minhas mãos nos bolsos e não deixo que outras mãos as encontrem. Toda vez que eu volto pro passado a felicidade fica mais longe.
A gente precisa do medo, da incerteza, do frio na barriga. E se eu sofrer? E se eu não me esquecer? Isso sempre pode acontecer porque a gente erra...Você erra.
A prática deveria ser tão simples como a teoria: se for pra sofrer, sofra. Mas prefira isso a ter que lutar contra você. Porque quando a gente tenta fugir de nós mesmos, lançamos para longe a surpresa tão esperada. Entre o medo e a coragem escolha a coragem, porque ela sempre escolhe ser quem você é, de verdade.

sábado, 8 de março de 2014

Vai passar,


Parece que não, mas vai por mim.
Um dia isso também me aconteceu. Mas, para você, sua dor vai sempre parecer mais intensa. No fundo, parece que a gente sempre sofreu mais que todos. O mundo acabou, não sobrou nada além das lágrimas que insistem em aparecer quando tudo aparentemente está bem. Aquela música que toca quando você acha que nem se importa mais. Aquela foto que seus olhos encaram no porta-retrato. Para onde levaram o seu chão?
De repente todo mundo diz: vai ficar tudo bem. Mas você não quer que fique tudo bem. Você só quer chorar, andar sem rumo... Pra você é necessário sofrer. E vai te soar mentiroso, como um grande engano, mas é... vai passar. A gente vive tanto perrengue que temos que aprender alguma coisa. Vai, você vai sobreviver. E talvez ele não era o amor da sua vida, mas agora você deve olhar pra dentro e se perguntar: E como eu vou ficar? Eu te respondo: você vai ficar bem, vai encontrar alguém que tê valor, você vai se dar valor. Antes da gente se relacionar com alguém, antes de dizer um "eu te amo" nós precisamos NOS amar, NOS respeitar, e querer o NOSSO bem, para daí então fazer alguém feliz. Se alguma dessas coisas não existir, algo está errado.
E quando você estiver melhor se lembre: o amor sempre vale a pena. Vale cada dor, cada não, e cada desilusão. Não vai adiantar trancar o coração, nem mesmo fugir. Já que a gente tem que aprender, que seja vivendo cada tropeço, cada lágrima, e todos os momentos de raiva.
O que vai te ensinar é aquele desejo de sumir, quando o seu coração parecer não suportar e quiser parar de bater. Ele ainda vai bater, e o sol vai voltar a brilhar, mesmo quando a noite parecer não ter fim.  Ninguém nunca morreu de amor, não será diferente com você.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Silêncio


- Para onde levaram o meu ar?

Sabe quando você se engasga? Se perde num sentimento que nem dá pra entender? Caramba... como a gente é complicado. Não dá pra se desfazer das coisas assim, em silêncio. Tem mais é que falar. Soltar o que está preso. De que adianta ser coerente se por dentro há tantas questões? Se o final será o mesmo, por que não dizer? Dizer que se arrepende, dizer que faz parte da vida. O que não dá é pra fingir que eu nem liguei... Que nem doeu... Que eu nem me lembro.
Teve que acontecer. É assim que os erros nascem, pela necessidade. Eles precisam existir. Tem vezes que a gente sabe o caminho certo, mas precisa aceitar o erro de outros para ser feliz... E a felicidade? Bom, ela pode nem aparecer.
Por que ainda falta sinceridade? Por que essas palavras não foram ditas? De que adiantou trocá-las se no fim das contas a dor foi duas vezes maior?
Chega, eu cansei. Cansei de tentar entender, de encontrar motivos. Eles não existem. o que existe é o silêncio, que você diz ser verdadeiro. Se é mesmo? Custo a acreditar. O silêncio pode dizer muitas coisas, pode não dizer nada. O silêncio não me vale como resposta, só vale como esconderijo, como conforto, como aquele medo que a gente sente da realidade.
Ela dói né? Se olhar no espelho e encontrar um vazio, a falta de explicações, a dúvida de quem é você. Sabe o que é isso? Chamam de fuga. Aquela que te fez correr. Deram esse nome para aqueles passos que você deu o mais rápido que pôde. Quando você saiu tropeçando nos problemas, nos degraus, nas incertezas. Quando escolheu, sem saber porque, não olhar pra trás. Os passos viraram milhas. O que te levou pra longe foi a escolha desse mudo.
O que eu posso te dizer? Se for pra desistir nem seja. Fugir sempre, pelo mesmo motivo vai te colocar mais vezes diante desse seu monstro. Correr só te faz chegar mais perto do que você não quer. Se a gente não aceita nosso 'eu', como vamos aceitar o 'nós' ou o 'eles'?
Ergue essa cabeça, respira fundo e aprende a falar. Se está feliz, se está triste, se não dá, se tem medo. Diga! Não sufoque a você, porque isso também sufoca as pessoas.

- O silêncio acabou. É hora de respirar.