Isso aqui seria uma carta e o destinatário seria você.
Carta? Estamos avançados demais pra isso. Que tal um e-mail?
Não.
Quero poder dizer o que sinto em palavras, muitas delas, e torcer pra que quando você leia, possa sorrir como da primeira vez.Você se lembra?
Passou tanto tempo e aquela vontade de me sentir entre os teus braços é tão viva. Parece conversa de menina adolescente, mas não, já cresci. O problema é que o amor nos faz bobos. Problema não, solução.
Poder falar com o silêncio, daqueles em que os solitários vivem. Mas é diferente. É o silêncio bom, conhece? Ele te faz indagar coisas como: por que seus olhos me deixam tão sem graça? Por que é mesmo que eu fico assim, rindo sozinha, esquecendo tudo ao redor?
Eu espero que meu sorriso sempre desvende pelo o que meu coração insiste em pulsar. Afinal, ele bate assim por sua culpa. As letras se unem buscando uma palavra melhor pra traduzir essa coisa meio sem nome. Alguns insistem em chamar de amor. Amor? Não pode. É mais que isso. É uma mistura de melhores amigos, que são cheios de defeitos, meio que diferente de todas as outras pessoas. Sabe quando você fica feliz porque sabe que alguém está pensando em você? Quando você pensa que está só você ouve aquela voz. E ninguém está só quando há essa voz. A palavra capaz de mudar o dia. Palavra ou silêncio. Tanto faz. Acho que gosto do silêncio. Desse nosso silêncio.
É quando você tenta descrevê-lo você fica assim, rodando, rodando, e continua sem dizer nada.
Quem precisa disso? No fundo a gente sabe como o amor vem. As formas é que são diferentes. Sempre esperamos que ele chegue logo. Que venha correndo.
O meu chegou. Veio devagar, caminhando, com medo de se perder. Me encontrou, meio tímido. O amor chegou sem dizer, sem ser anunciado. Tomou o seu lugar sem pedir. Me trouxe a calma que nunca tive. Era assim que deveria ser. Era de amor que eu precisava. Era de nós que eu sempre senti falta.