sábado, 15 de março de 2014

Surpresas


Eu amo surpresas, das de todos os tipos. Um sorriso inesperado, um abraço, uma presença, um dia tranquilo. Gosto das surpresas boas, claro. Porque quando é bom a gente gosta, guarda, relê, sorri, cheira, toca. A gente não esquece, nem nas vezes ruins. Surpresas geram memórias, lembranças, sensações.
Dentro de mim há lembranças que ainda geram surpresas. Surpreendo-me com a sensação que eu devia ter esquecido, enterrado, apagado. Sorrio com a memória de uma carta lida, um cartão guardado, aquele olhar distante. E são as lembranças tristes, aquelas que a gente tenta se livrar, as responsáveis pelo medo. O medo de sermos surpreendidos. Por que é que uma surpresa ruim é capaz de te fazer correr de tantas surpresas boas que ainda nem aconteceram? Parei pra pensar: não dá pra ter medo do ruim. Ele te afasta do do amor, da alegria. Quando eu escolho me esconder eu deixo a paz ir embora. Quando desvio, eu fecho os olhos para os sorrisos que querem me encontrar. Quando eu fujo, eu guardo minhas mãos nos bolsos e não deixo que outras mãos as encontrem. Toda vez que eu volto pro passado a felicidade fica mais longe.
A gente precisa do medo, da incerteza, do frio na barriga. E se eu sofrer? E se eu não me esquecer? Isso sempre pode acontecer porque a gente erra...Você erra.
A prática deveria ser tão simples como a teoria: se for pra sofrer, sofra. Mas prefira isso a ter que lutar contra você. Porque quando a gente tenta fugir de nós mesmos, lançamos para longe a surpresa tão esperada. Entre o medo e a coragem escolha a coragem, porque ela sempre escolhe ser quem você é, de verdade.

sábado, 8 de março de 2014

Vai passar,


Parece que não, mas vai por mim.
Um dia isso também me aconteceu. Mas, para você, sua dor vai sempre parecer mais intensa. No fundo, parece que a gente sempre sofreu mais que todos. O mundo acabou, não sobrou nada além das lágrimas que insistem em aparecer quando tudo aparentemente está bem. Aquela música que toca quando você acha que nem se importa mais. Aquela foto que seus olhos encaram no porta-retrato. Para onde levaram o seu chão?
De repente todo mundo diz: vai ficar tudo bem. Mas você não quer que fique tudo bem. Você só quer chorar, andar sem rumo... Pra você é necessário sofrer. E vai te soar mentiroso, como um grande engano, mas é... vai passar. A gente vive tanto perrengue que temos que aprender alguma coisa. Vai, você vai sobreviver. E talvez ele não era o amor da sua vida, mas agora você deve olhar pra dentro e se perguntar: E como eu vou ficar? Eu te respondo: você vai ficar bem, vai encontrar alguém que tê valor, você vai se dar valor. Antes da gente se relacionar com alguém, antes de dizer um "eu te amo" nós precisamos NOS amar, NOS respeitar, e querer o NOSSO bem, para daí então fazer alguém feliz. Se alguma dessas coisas não existir, algo está errado.
E quando você estiver melhor se lembre: o amor sempre vale a pena. Vale cada dor, cada não, e cada desilusão. Não vai adiantar trancar o coração, nem mesmo fugir. Já que a gente tem que aprender, que seja vivendo cada tropeço, cada lágrima, e todos os momentos de raiva.
O que vai te ensinar é aquele desejo de sumir, quando o seu coração parecer não suportar e quiser parar de bater. Ele ainda vai bater, e o sol vai voltar a brilhar, mesmo quando a noite parecer não ter fim.  Ninguém nunca morreu de amor, não será diferente com você.