domingo, 26 de agosto de 2012

Acostumar



Depois de um tempo, você acaba se acostumando. Com aqueles sapatos que sempre te machucam, com promessas e até com algumas situações. Deve ser normal se acostumar com a raiva, com o mau humor e até com a solidão, não que elas sejam coisas boas.
Sendo comum, talvez eu pudesse dizer que é fácil se acostumar com o amor, com a alegria. Não é? Não. Se acostumar é deixar de dar importância. É esquecer que aquilo existe. Eu não sei esquecer a felicidade e acho que ela não deva ser ignorada.
Eu me lembro dela pela manhã, quando acordo atrasada por culpa de um sonho lindo que infelizmente foi interrompido pelo despertador. A cada passo que eu dou, eu sinto o cheiro dela, consigo até ouvir sua voz. Minha felicidade me abraça e enche o ambiente de paz.
Um dia todo mundo fica meio bobo. Principalmente aqueles se sofreram um pouco mais. Parecer ridículo aos outros é a forma mais linda de ser feliz. Andar de mãos dadas e nem se dar conta que está parado no meio da rua, jurando ser a pessoa mais feliz do mundo.
Ser feliz é se importar, não com o resto, mas com ela. Com aquela pessoa que consegue te surpreender, que adora te deixar brava pra te fazer sorrir. É ter o melhor beijo ao alcance de suas mãos.
Não se acostumar é não ter medo de lembrar-se do passado, é não se esconder. É se mostrar. Encarar os medos, os defeitos que só você conhece e aquelas manias esquisitas que ela adora. A sua felicidade ama te ver de pijama, meio descabelada. Ela ri quando você arrotar pensando estar sozinha na cozinha. Ri mais ainda depois de um tropeço no meio da rua. Ela olha nos seus olhos como ninguém nunca olhou.
Quando você se importa de verdade percebe que o seu jeito meio destrambelhada e tagarela é o que ela mais admira. Era o que você procurava. Alguém que gostasse de você, que arrumasse seu cabelo com as mãos mais afáveis do mundo, que te provasse que as pessoas são boas e que o mundo não é tão ruim assim.

Depois de um tempo você acaba aceitando: a felicidade sorriu pra você. E o que é melhor, ela está aqui, aguentando suas chatices, aquela TPM interminável, seus dramas, e seus ciúmes.sempre. Para sempre.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Não


Sempre dói.
Diferente de quando se quer, quando se está cansado de lutar, no momento em que se precisa entregar os pontos. O "não" é necessário e, por vezes, aguardado ansiosamente. Interromper um caminho que nem se pôde percorrer. A gente se revolta, estranha, bate o pé, sem pensar o porquê.
Um "não" pode te trazer mais uma chance. Novas chances. Ter a oportunidade de fazer bem, de lutar mais, de ser mais feliz. Um "não" pode te fazer mais feliz. A longo, médio, pequeno prazo.
Quem sabe amanhã?
O "não" prova. Mostra quem você é, ou quem não é. Ele te desafia, impulsiona os sentidos, a mente, o coração. Crescemos mas continuamos a senti-los como crianças.
Uma das coisas que levarei pro resto da minha vida é que as coisas no nosso tempo, da nossa forma, do nosso jeito, nunca dão certo.
Tudo precisa ser como é. Não somos juízes nem deuses. Somos humanos e precisamos aguardar em fé, com paciência.
O amanhã pode ser muito melhor do que hoje, se você souber esperar.